Para um arrependimento colectivo

/Tu que partiste comigo/do cais da Rocha/Numa manhã de agosto triste/E não regressaste…
/Tu que em África deixaste os sonhos/Os braços, as pernas…
/Tu que jazes algures anónimo/Sob uma envelhecida lápide/Perdida na névoa/Da memória dos Homens.
/Tu cuja morte foi justificada/Com a ideia de Pátria/Ainda esperas por justiça…
/Tu que restas anónimo/Esquecido/Mas presente.

(José Rosa Sampaio in Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial, org Margarida Calafate e Roberto Vecchi, ed Afrontamento, Lisboa, 2011)

A Guerra Guardada: Fotografias de soldados Portugueses em Angola, Guiné e Moçambique (1961-1974)

Em diálogo com Maria José Lobo Antunes e Inês Ponte, a Confederação montou 3 photo-conversas, acontecidas a partir de 4 fotografias e 3 histórias da Guerra:

🎥 COMO SE FOSSE UM FILHO

🎥 CONTRATO FIRMADO

🎥 ENCONTRO DE FIM DE GUERRA

… disponíveis a partir do dia 05 Fevereiro 2024, no nosso canal de >> Youtube

“A Guerra Guardada” explora colecções pessoais de homens que em tempos foram soldados. A maioria foi recolhida através de entrevistas presenciais no quadro de uma investigação etnográfica em curso no ICS-ULisboa. As restantes estão publicadas em diversos sítios e arquivos da internet. Dispersas um pouco por todo o país, retratam um tempo e um espaço distantes, e mostram uma guerra vivida mas também imaginada. Banais ou extraordinárias, revelam os muitos mundos de uma guerra longa e anacrónica que foi mandada combater pela ditadura

Informações
online@confederacao.pt

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A Guerra Guardada. Fotografia de soldados portugueses em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique (1961-74)

Autor: Antunes, Maria José Lobo; Ponte, Inês
Data: 2022
Editora: Museu do Aljube. Resistência e Liberdade

A Guerra Guardada 13 de Janeiro a 03 de Abril de 2022 Fotografias de Soldados Portugueses em Angola, Guiné e Moçambique (1961-74)

Durante os anos da guerra, milhares de jovens recrutados para Angola, Guiné-Bissau e Moçambique tiraram fotografias daquilo que os rodeava: os camaradas, os quartéis, as paisagens, o quotidiano, as populações civis, o aparato militar. Estas imagens escaparam à censura do regime, e foram guardadas ou enviadas pelo correio como provas de vida à distância. Alguns destes homens construíram laboratório improvisados, outros acederam a laboratórios oficiais. Vários frequentaram lojas de fotografia que floresceram com a procura gerada pela guerra, muitos compraram e trocaram imagens.

 Assim construíram os arquivos fotográficos de que agora mostramos partes.

Cinquenta anos após o início do conflito, algumas coleções de antigos soldados foram destruídas, como se o passado se pudesse apagar nesse gesto. Outras, com o desaparecimento dos seus donos, ficaram órfãs. Muitas sobrevivem ainda, conservadas em álbuns ou em caixas, analógicas ou digitalizadas, e são mostradas em círculos restritos ou partilhadas nas redes sociais.

A Guerra Guardada explora coleções pessoais de homens que em tempos foram soldados.

A maioria foi recolhida através de entrevistas presenciais no quadro de uma investigação etnográfica em curso no ICS-Lisboa.

 As restantes estão publicadas em diversos sítios e arquivos da internet. Dispersas um pouco por todo o país, retratam um tempo e um espaço distantes, e mostram uma guerra vivida mas também imaginada. Banais ou extraordinárias, revelam os muitos mundos de uma guerra longa e anacrónica que foi mandada combater pela ditadura. Que possam provocar diálogos em democracia . Curadoras Maria José Lobo Antunes e Inês Ponte

URI: https://repositorio.ul.pt/handle/10451/56675

Versão do Editor: https://www.museudoaljube.pt/expo/a-guerra-guardada/

https://repositorio.ul.pt/handle/10451/56675

http://hdl.handle.net/10451/56675

NÚMEROS DA GUERRA COLONIAL

Parte-se do princípio que a evolução da emigração se relaciona com o início da guerra colonial

Anos          França (emigração ilegal)            Total (emigração legal)

1961                1.210                                           33.526

1971           100.797                                          50.400      

Recenseados, apurados e incorporados

Anos         Recenseados           Faltosos           Apurados               Incorporados

1961          75.366                    8.722                  48.832                    sem dados

1972           92.613                  18.841                  66.681                   61.086

Analfabetismo

Soldados incorporados                         Analfabetismo (%)

Ano

1962       42.090                                             15,6

1973        49.678                                               3,8

Efectivos totais do Exército nos três teatros de guerra

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Ano                                                         total

1961                                                   49. 422

1973                                                   149.090

Despesas militares

Ano                         despesa total do Estado                      % despesa Forças Armadas    

1973                         68 360 000 000 escudos                           24,3% 

Mortes e feridos do lado português. TOTAL

Exército                                                             8612                               Fonte de todos os números:

Milícias, auxiliares e forças especiais            1026                          Pedro Marquês de Sousa,

Força Aérea                                                         511                          Os números da Guerra de África,

 Marinha                                                               260                                               Ed Guerra e Paz,                                                             

PSP                                                                           16                                                Lisboa,2021

Total                                                                   10425

NUMEROS DA GUERRA COLONIAL PORTUGUESA

Do lado português

Militares mobilizados sob bandeira portuguesa:800.000

70% recrutados em Portugal,30% nas colónias

Faltaram ao recrutamento durante toda a guerra 17,7%

Adiados 4 a 5%/ano

Desertores 9000

Refractários 20.000

Faltaram à inspecção 202.000

Deserções no teatro de guerra (avaliações em períodos diferentes) Angola 1962-1973 2817

Moçambique 1960-1969 123

Guiné 300 60% do recrutamento local

MORTOS

(do lado português)

Contabilidade oficial

9.638

Exército (83%) Angola 3581

Guiné 1717

Moçambique 3.003

Grupos Especiais (10,4%)

Força Aérea (4,4%)

Marinha (1,6%)

PSP (0,3%)

FERIDOS

117.000

Miguel Cardina. A deserção à guerra colonial: história, memória e política in Revista de História das Ideias, nº 18

Pedro Marquês de Sousa. Os números da guerra de África, Angola, Guiné, Moçambique: mortos, feridos, armas e combates, custos, desertores. ed Guerra e Paz, Lisboa 2021

João de Melo (org.) Os anos de guerra 1961-1975: Os portugueses em África-Crónica ,ficção e  história, Círculo de  Leitores ,I e II,Lisboa,1988