
Traduzido da Coleção Panaf Grandes Vidas
Présence Africaine- Paris-1981
ISBN: 9782708703926

Título: Cartas de Amílcar Cabral a Ana Maria
Subtítulo: Entre mim e ti, aconteceu Amor
Organizadores: Ndira Cabral, Filinto Elísio e Márcia Souto
Texto Introdutório e Notas: Ângela Benoliel Coutinho
ISBN: 978-989-8961-61-7
Edição: 2024
Coedição: Rosa de Porcelana Editora e Imprensa Nacional (Portugal)
«Ao disponibilizar estas cartas íntimas para leitura do grande público, o primeiro aspeto que salta à vista é que Ana Maria expõe facetas até então desconhecidas da vida afetiva e material de um casal que se esforçou por ser feliz e por preservar uma vida familiar tão “normal” quanto possível, num contexto de guerra e de violência extrema, que implicou um processo político intenso, de grande complexidade e com mudanças rápidas. O casal Amílcar – Ana Maria Cabral esforçou-se por tentar enquadrar a vida das suas crianças pequenas (Raul, Ndira), sendo manifesta a preocupação em protegê-las das fragilidades diversas às quais estavam expostas, inerentes à precariedade da vida material que levavam»
MORIN, EDGAR

DETALHES
ISBN: 9789721040250
Editor: Publicações Europa-América
Data de lançamento: abril de 1995
EAN:5601072042865
SHATZ, ADAM

| Propriedade | Descrição |
| ISBN: | 9782348079641 |
| Editor: | LA DECOUVERTE |
| Data de Lançamento: | março de 2024 |
| EAN: | 9782348079641 |
Frantz Fanon
A editora La Découverte publicou um livro, intitulado “Frantz Fanon, une vie en révolutions”, cujo autor é Adam Shatz que trata da vida e obra deste grande escritor e lutador.
Em 1952, Frantz Fanon publicou o seu livro mais conhecido “Peau noire, masques blanches”, cujo final é a frase: “Ó meu corpo, faz sempre de mim um homem que se interroga”. Em 1961 o seu livro “Les Damnés de la terre, depois de ele próprio ter vivido a Europa da resistência ao nazismo diz: “Esta Europa que está sempre a falar do homem, a proclamar que se preocupa com o ser humano, sabemos hoje com quanto sofrimento a humanidade pagou cada uma das vitórias do seu espírito”.
Nascido na Martinica, tal como Aimé Césaire (autor em 1950 do “Discours sur le colonialisme”) morreu cedo, aos 36 anos, com uma leucemia. Psiquiatra clínico, estudou através das suas consultas aquilo que eram as alienações e patologias que resultavam do domínio de umas pessoas sobre as outras, ressaltando o próprio domínio psicológico do colonizador sobre o colonizado.
Fonte: Mediapart, 6.3.2024
MARTINHO DA VILA
Planeta 09/02/2024
Jornal de Angola
Compadre Martinho, axé
Manuel Rui
Escritor
Dado à estampa pela editora brasileira PLANETA, acabo de receber autografado o último livro do compadre Zé Ferreira. Um livro singular. Logo no prólogo, o autor avisa que é uma autobiografia, mas escrita como se fosse ficção em que autor conversa consigo próprio, isto é o cidadão, Martinho da Vida conversa com o artista Martinho da Vila. Hospedado num hotel de cinco estrelas em S. Paulo ele olhou-se no espelho e pensou: impressionante! Como você conseguia chegar até aqui? Para um negro galgar os degraus da escada social, a subida é difícil.
30/05/2024
O da Vida é um cidadão pacato, católico, respeitador das doutrinas de origem
africanas como a macumba e o candomblé e que chegou à patente de sargento no exército. Nasceu de parteira numa casa sem luz em Duas Barras, um vilório num arredor do Rio de Janeiro, depois a família foi-se mudando, sempre pobre, em casas sem luz eléctrica e a familia vivia daquilo pouco que ganhava o Pai; Dona «Joana, a parteira, profetizou: Hoje é noite de lua cheia e quem nasce no plenilúnio vai ter sempre muita sorte. Pegou o menino, levou-o à janela, virou a bundinha dele para a lua e exclamou: Lua, luar! Pega esta criança e ajuda a criar!» Hoje, meu compadre é o presidente de honra da escola de samba de Vila Isabel.
Da Vila é uma referência a Vila Isabel, da escola de samba Unidos de Vila Isabel
onde eu assisti a vários ensaios com uma neta de Martinho porta bandeira. Ao
longo da conversa desfilam uma série de personagens, uma delas, o compositor
Aluísio que usava sempre boné branco, um dia falei pra ele que gostava daquele
boné. No dia seguinte ele apareceu lá em casa e ofereceu-me um boné igual e,
desde esse dia passei a usar boné branco.
Cada letra de cantiga tem uma razão de ser, mas o importante é que as palavras se transformam em poemas quando são cantadas. Lembro-me de um catedrático de árabe na Universidade do Rio. Organizou um pagode em sua casa. Aí Martinho cantava… que a vida vai melhorar e os filhos brincavam fazendo coro que a vida vai piorar, o pai franzia o sobrolho…
O da Vila aborda a técnica de fazer primeiro a letra e depois a música ou em
simultâneo. Uma curiosidade, as filhas Analimar e Mart’nália aprenderam a sambar com Dona Ivone Lara, a diva que eu tive oportunidade de conhecer e ainda hoje não me canso de ouvir SONHO MEU.
Martinho escreve como um griot, um contador e cantador tradicional africano.
Escreve com a naturalidade como canta e assim foi fácil agarrar a nossa música,
organizar «O canto livre de Angola» e outros eventos fazendo viajar nossos cantores até ao Brasil. Tudo isso era pensado aqui em minha casa com feijão de óleo de palma e mufete de carapau. Levou mestre Geraldo no tempo em que começou a tricotar o samba que havia de ganhar nesse ano, um samba revolucionário explícito. «Valeu Zumbi/ Hoje a Vila é Kizomba…Anastácia não se deixou escravizar…Vem a lua de Luanda/ Para iluminar a rua./Nossa sede é nossa sede/ De que o Apartheid se destrua.»
A primeira vez que veio a Angola, cantou no N’Gola Cine…e causei uma baita
confusão. Por coincidência era um 7 de Setembro e eu disse, sem pensar: Lá no
Brasil, hoje se comemora o Dia da Independência. Espero, quando aqui voltar,
encontrar um país também livre.
Depois cantou, Vai ter que amar a liberdade, só vai cantar em tom maior. Vai ter a felicidade de ver um país melhor.
Ainda o projeto Kalunga. Das minhas andanças por Angola, só tenho boas
lembranças e mantenho-as bem vivas na memória. Eles me tratam como um
angolano e eu assim me sinto.”
Martinho ficou impressionado com «Os Meninos do Huambo,» fez uma adaptação e gravou «Manuel Rui é um grande poeta e Ruy Mingas um musicista de mão cheia. Sempre se aprende algo ao conversar com eles.”
Repare-se na humildade própria dos génios:
Burgueses são vocês.
Eu não passo de um pobre diabo
Mas quem quiser ser como eu
Vai ter que penar um bocado.
Martinho é um sentimentalão. Um dia fui incumbido de lhe entregar o título de
cidadão honorário de Angola. Foi em Brasília. Ficámos hospedados no melhor hotel que conheci, o Juscelino. Depois a cerimónia foi no clube da marinha (Brasília não tem mar). Compadre você é mesmo angolano:
Se comeres fungi kizaca
E mufete de carapau,
Se Luanda te encher de emoção
Se o povo te impressionar demais,
É porque são de lá teus ancestrais. Podes crer
No axé dos teus ancestrais.
Compadre Zé Ferreira, adepto do Vasco como eu, o primeiro clube carioca a deixar entrar negros. Você subiu muitos degraus. Academia de letras, doutor honoris causa da Universidade onde trabalham tantos amigos nossos. Lembro-me de nossas andanças e estou a desafiá-lo para as escrevermos a quatro mãos. Veio-me à boca o sabor da cachaça daquela senhora que vendia à janela e conversava com o cliente em Duas Barras. Lembro-me de uma cantiga que você cantava com uma jovem, «quem começa eu ou você, Martinho? Pode ser você.»
Compadre Martinho axé
e todos os orixás!
JESUS, CAROLINA MARIA DE

- Editora: VS.
- Prefácio: Fernanda R. Miranda
- Ano: 2021
- ISBN: 9789895473571
Bambe, Marc Alexandre Oho; Ebami, Fred

Detalhes do produto
- Editora: Calmann-Lévy
- Data da publicação:27 abril 2022
- ISBN-10: 2702183271
- ISBN-13: 978-2702183274
Styron, William

Detalhes
- Editor: FOLIO
- Data da publicação : 16 dez. 1982
- ISBN-10 : 2070374254
- ISBN-13 : 978-2070374250